domingo, 8 de novembro de 2009

Cartazes II

Para realizar seus ensaios gerais, o coral da minha empresa costuma tomar emprestado o salão de uma ONG que ajuda na recuperação de viciados em drogas. Um amigo chamou a atenção para esse cartaz, que estava afixado lá:



A piada geral: quais seriam as drogas adotadas no Curso Introdutório de Dependência Química? Maconha, analgésicos, cola de sapateiro...

sábado, 7 de novembro de 2009

Overdose de Caetano

Juro que não aguento mais: essa mania de consultar o Caetano Veloso para todo e qualquer assunto já encheu os pacová. Essa semana, então, não teve precedentes: foi uma overdose de Caetano Veloso na imprensa de dar nojo.

Primeiro, publicam uma entrevista do Caetano a um jornal paraibano em que ele diz que não gosta do Woody Allen. E daí? Woody Allen certamente deixou de dormir direito na noite em que leu que Caetano não gosta de sua obra cinematográfica! (Um parêntesis: Caetano chama o cineasta, entre outras coisas, de "careta". Nossa, tem coisa mais careta hoje em dia do que chamar alguém de careta? Alguém por favor vai correndo avisar ao Caetano que a década de 1970 já acabou faz tempo...)


Eu sei de tudo. Ou não.

Depois, o Estado de S. Paulo entrevista Caetano com exclusividade. Ele fala de tudo: política, segurança pública, invasões extraterrestres, teorias matemáticas, a fórmula da cura da gripe suína, como solucionar a fome no mundo e o que mais os jornalistas se animem a perguntar. Ele opina sempre, mesmo que não tenha o menor conhecimento do que está falando: Caetano gosta é de palpitar mesmo. Mas, nessa entrevista, o que foi divulgado aos quatro cantos foi quando ele chama Lula de "analfabeto". Tá. E daí? Não foi o primeiro nem o último a fazer isso. Além do mais, que coisa mais infantiloide. Daqui a pouco, as declarações serão assim: "Caetano diz que Lula é bobo e tem cara de mamão".

E aí, quando já achamos que estamos livres dessa caetanarada toda, eis que ele ainda ganha o Grammy Latino por "Zii e Zie". Como diria Galvão Bueno, haja coração!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sem nome

São nove horas da noite. Volto para casa de ônibus. Estou cansada, minhas pernas doem, meus olhos ardem: tudo que quero é descansar.

O ônibus para em um sinal e, vindo do nada, um menino se alinha às janelas do veículo. Pequeno, magro, chinelinhos que mal protegem os pés imundos. Seus olhos suplicam, ele ergue as mãos, pede um trocado.

Fecho os olhos. Não quero ver, não quero sentir, fecho os olhos porque estou cansada, minhas pernas doem, meus olhos ardem e quero chegar em casa, oh, como eu quero chegar em casa!

Abro os olhos e o truque de mágica se concretizou. O menino desapareceu, como que dissolvido pela garoa fina que caía. E senti a humanidade morrer dentro de mim.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Pra que horário de verão?

Já faz uma semana que entramos no horário de verão, e o que tenho pensando constantemente é como ele só tem me ferrado...

Primeiro: meu dia nunca parece render. Eu penso: "nossa, ainda está claro, está cedo" e quando olho no relógio, bam! Já são quase 19h. Isso sem contar no ajuste ao horário, que não aconteceu até hoje: acordo atrasada de manhã e não consigo dormir cedo à noite, indo pra cama bem depois da meia-noite.

Segundo: para que eu quero que o dia dure mais? O papo geral é: "ah, mas dá pra pegar ainda uma prainha depois do trabalho". Aqui no Rio, isso só faz sentido se você trabalha perto da orla. Eu moro e trabalho na zona norte, portanto, não dá tempo é pra nada: é só uma hora a mais de sol na cuca até chegar em casa.

Bem, até agora listei razões muito fortes para detestar o horário de verão. E o negócio é que se dá justo o contrário: eu adoro horário de verão! "WTF?", diriam vocês. Por que gostar de um negócio desses?

O lance é que dá aquela sensação de "aproveitamento do dia" quando saio do trabalho às 17h e ainda está sol. Parece que o dia ainda está cheio de possibilidades, parece que tem 48 em vez de 24 horas (embora, como expliquei no primeiro item, a realidade é bem ao contrário). Vai ver que é o indicativo de que o ano está acabando, as festas de fim de ano estão chegando e também as férias de janeiro (o que pra mim não faz nenhum sentido, porque não tiro férias há cinco anos). Ou então porque acabo participando do ilusionário coletivo de que o horário de verão é lindo e maravilhoso.

Realmente, esse é um grande mistério: por que eu gosto de horário de verão, mesmo?!

domingo, 18 de outubro de 2009

Livro: "Cartas do front"

Então eu consegui terminar de ler Cartas do front, que comprei na Bienal. Demorou, mas foi - além de ler beeem devagar, quase duas páginas por dia (ou melhor, noite, porque leio antes de dormir), fiz digressões para ler Caçada ao maníaco do parque (livro-reportagem, legalzinho) e começar A falecida, do Nelson Rodrigues.

E o que posso dizer do livro? Recomendo com louvor, crianças. O organizador saiu mundo afora à procura de cartas escritas por soldados durante conflitos para seus familiares, amantes, amigos, além das cartas de resposta dessas pessoas que tentavam, mesmo que à distância e por papel, levantar o moral das tropas. Pensei que seria um livro pesado, triste, mas o organizador conseguiu equilibrar: tem cartas engraçadas, leves, superinteressantes, histórias de amor que deram certo (ou não). Também tem cartas tristíssimas, é claro - e engasguei várias vezes lendo o livro. Mas é um relato que ninguém deveria se furtar de ler.

Tem um capítulo especial só com cartas dos pracinhas brasileiros que serviram durante a Segunda Guerra Mundial. Vou colocar uma aqui bem engraçadinha, enviada por Otto da Costa Soares ao irmão Walter, que estava combatendo na Europa. A carta foi escrita depois do fim da guerra, em 8 de maio de 1945:

Prezado irmão,
Em virtude dos últimos acontecimentos no cenário da guerra, tem sido grande, entusiástica mesmo, a alegria que reina em toda parte do Brasil.
Aqui no Rio, o Dia da Vitória foi bem expressivo e veio encher de alegria os corações das famílias que têm representantes na FEB e cujo maior desejo sempre foi ver, de vez, o fim dessa grande tragédia que tanto feriu a humanidade.
Agora só nos resta ver de volta aos lares os valentes soldados que souberam elevar bem alto o nome de nossa pátria.
O assunto em foco aqui no Brasil, atualmente, são as eleições.
Ainda bem que vocês virão todos a tempo para apreciar de perto as suas fases finais.
Há quase um mês que não recebemos carta tua e estamos na expectativa.
Todos aqui estão bem de saúde e enviam abraços. Mamãe manda-te muitos beijos e só pensa na tua volta...
Festa agora aqui é mato. Quase todos os dias me aparecem convites. Pequenas aqui é mato também.
Eu já não posso dar conta de todas elas.
Um abraço fraterno,
Otto Costa Soares.

sábado, 10 de outubro de 2009

Música: The Unicorn Ensemble

Eu adoro história medieval e, nada mais natural, adoro a música feita nesta época. Comentei isso com um colega de trabalho (que, por acaso, é regente do coral da empresa) e ele me emprestou esse mimo: On the Way to Bethlehem, do The Unicorn Ensemble, grupo europeu especializado em Música Antiga. A proposta do álbum é selecionar músicas medievais que vão desde a Europa até o Oriente Médio, percorrendo o caminho que os cruzados e peregrinos faziam até a Terra Santa. O grupo escolheu músicas natalinas para os países cristãos e canções tradicionais, no caso dos países não-cristãos.

O track-list é o seguinte:

01 - Dinaresade (música tradicional síria)
02 - Edi be thu, Heven-Queene (anônimo - Inglaterra)
03 - Nevestinko oro (tradicional - Macedônia)
04 - Beata progenies (Lionel Power)
05 - Mari Stanko (tradicional - Bulgária)
06 - Sei willekommen Herre Christ (anônimo - Alemanha)
07 - Bog se rodi va Betleme / Koleda na Bozic / Kod Bethlehema / Koleda na Bozic (tradicionais - Croácia)
08 - Angelus ad virginem (anônimo - Inglaterra)
09 - Düdül (tradicional - Turquia)
10 - La quinte Estampie real (anônimo - França)
11 - Urbs beata Jerusalem (Guillaume Dufay)
12 - Mevlana (tradicional - Sufi [árabe])

A única ressalva que faço é que a lista das músicas não faz o trajeto real, saindo da Inglaterra e acabando na Arábia. Mas confesso que isso é preciosismo meu, o trabalho do Unicorn Ensemble é perfeito e esse CD é maravilhoso.

No link que coloquei no título do CD, há um tira-gosto: as faixas Mari Stanko e La quinte Estampie real. Aproveitem!

sábado, 3 de outubro de 2009

Rio 2016 - E agora?

Tá, confesso que fiquei um pouquinho feliz com a escolha do Rio para sediar as Olimpíadas - embora, no momento de suspense da leitura do envelope, meu lado sádico quisesse que o presidente do COI lesse "Madrid" só pra ver a cara dos 100 mil que estavam na praia de Copacabana.

Mas o que será do amanhã? Obras faraônicas superfaturadas, verdadeiros sumidouros de dinheiro (que ninguém se esqueça da Cidade da Música), projetos para varrer a pobreza pra debaixo do tapete (como aquela ridícula tentativa do ex-prefeito Conde de pintar todos os barracos das favelas da zona sul em tons de verde, para camuflar na paisagem), aumento no efetivo de policiais para, um dia após o grande evento, tudo voltar a como era antes no quartel de Abrantes. Tenho medo dessa Olimpíada.

Obs.: Numa nota diferente sobre o mesmo assunto, engraçadíssimo o vídeo do âncora da CNN que fica completamente chocado quando Chicago é eliminada logo na primeira rodada de votações. Não sei com o que ele parece mais incrédulo: com o fato de Chicago ter saído assim, de primeira, ou com o fato de Madri e Tóquio ainda permanecerem na disputa. Esses americanos...

domingo, 27 de setembro de 2009

Uma historinha sobre Beethoven

O ano era 1811. Beethoven tinha 41 anos e estava cada vez mais mergulhado na surdez que, progressivamente, ia minando sua felicidade. Com a saúde abalada, atacado por grandes períodos de depressão, o grande maestro afastou-se da agitação de Viena e foi passar uma temporada na cidade de Teplice, na região da Boêmia (onde atualmente é a República Tcheca). O local, uma famosa estância mineral, era quase obrigatório para quem quisesse recuperar a saúde.

As águas e os banhos termais de Teplice fizeram mais do que revigorar a saúde do maestro: também tiveram um efeito positivíssimo em sua criatividade. Pois foi lá que Beethoven compôs uma das peças mais lindas da sua prolífica carreira: a Sétima Sinfonia em Lá Maior. Em especial, o segundo movimento, em allegretto, que começa suave e depois explode em vigor, força, sentimento.

Beethoven concluiu a sinfonia em 1812 e a dedicou ao Conde Moritz von Fries, banqueiro vienense colecionador de artes e que apreciava muito música. A sinfonia estreou em 1813, durante um concerto beneficente em Viena organizado em prol dos soldados hferidos na batalha de Hanau, e foi um tremendo sucesso - principalmente o segundo movimento, que, a pedido do público, teve de ser repetido.

Eis a execução dessa peça magnífica pela Filarmônica de Berlim:

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Filme: A onda

Nessa era de Aquarius, terceiro milênio e etc., costumamos ter uma visão meio arrogante com relação ao passado. "Como éramos selvagens", comentamos, de nariz empinado, ao ver atrocidades que não aconteceram há tanto tempo - como a Segunda Guerra Mundial, por exemplo.

O grande enigma é: com tudo o que sabemos hoje, seria possível um ditador como Adolf Hitler ascender ao poder? Seria possível o surgimento de um regime como o nazi-fascista nesse admirável mundo novo? É esse o questionamento levantado pelo filme A onda (Die welle, 2008), produção alemã que encara corajosamente esse tema espinhoso.

"A onda": experiência de nazismo em sala de aula

A sinopse: Rainer é o professor de uma escola alemã, destacado pela diretoria para dar um seminário de uma semana sobre autocracia, tema que pouco o interessa - e muito menos aos alunos, terceira geração pós-guerra que já está com os pacovás cheios de ouvir falar do nazismo. Até que ele levanta a questão: "Seria possível, nos dias de hoje, haver um outro nazismo? Haver uma adesão popular tão maciça quanto foi naquela época?". Os alunos apostam que não, e o professor tem a ideia de fazer um pequeno teste: usar técnicas de persuasão nazista para conseguir a adesão dos alunos e simular uma autocracia na sala de aula. Os efeitos são surpreendentes, até mesmo para o professor.

O filme é livremente baseado na história real de um professor americano, que implementou a mesma técnica em uma escola na década de 1960. O roteiro é bem diferente do que a história documentada pelo tal professor americano, mas serve como alerta para todos nós sobre fantasmas que já julgamos mortos e enterrados: não estão tão enterrados assim que não possamos vê-los, à nossa espreita. A possibilidade de surgir um novo nazismo é tão presente quanto nós somos humanos.

domingo, 20 de setembro de 2009

Poe, o escritor alemão da Idade Média

Fazendo um tour pelos meus blogs de leitura diária, vejo um post da Raquel avisando sobre um congresso internacional que começa hoje em BH, em homenagem aos 200 anos de nascimento de Edgar Allan Poe. "Por que esse congresso não foi no Rio de Janeiro?!", foi meu primeiro pensamento.

Eu sou apaixonada pela obra do Poe. Meu primeiro contato com ele foi na sétima série, quando a professora de português passou como livro paradidático "O Escaravelho de Ouro e outras histórias", editado pela Ática. Contém algumas das histórias horripilantes de "Histórias Extraordinárias", o livro original do Poe: "O barril de Amontillado", "O gato preto", "A queda da casa de Usher", entre outros. Lembro de ter ficado muito assustada com "O gato preto" e logo elegi "O barril de Amontillado" como meu conto favorito.

Foi através do Poe que reacendi meu interesse por Sherlock Holmes: eu já gostava do detetive inglês por causa do jogo "Scotland Yard", da Grow, mas só fui ler os contos depois de ter conhecido o Poe, que foi o precursor do gênero policial. Sherlock é o herdeiro natural de Dupin, o detetive criado por Poe em "Os assassinatos da Rua Morgue" que, como Sherlock Holmes, recorre à dedução lógica para solucionar mistérios.

Muito bem, mas o que isso tudo tem a ver com o título maluco desse post? Bem, o título faz referência a uma história muito engraçada que aconteceu comigo envolvendo o Poe - história essa que conto agora.

Já adulta, ganhei de um namorado a obra completa do Poe. Na época estudante e estagiária, naquela contenção de despesas própria dessa fase da vida, adorei o presente. Eu morava no Rio e estudava e trabalhava em Niterói, gastava duas horas em transporte público para chegar do outro lado da poça. Com isso, eu lia muitos livros no ônibus e na barca, e as obras completas do Edgar Allan Poe eram perfeitas para esse propósito: como era um tomo único (e de dimensões pequenas também), podia levá-lo para ler no caminho para o trabalho.

Num desses dias de leitura no ônibus, um rapaz que vinha a meu lado resolveu puxar conversa:

"Poxa, você gosta mesmo de ler, né? Não largou esse livro nem por um instante..."

"Gosto" - foi minha resposta seca, porque detesto que me interrompam quando estou lendo.

Mas o rapaz não desistiu de puxar conversa comigo: olhou a capa do livro que eu estava lendo, leu o nome do autor e quis parecer entendido:

"Poe, é? Não é aquele escritor alemão?"

"Poe era americano", respondi, a título de elucidação.

"Ah...", fez ele, pensando um pouco. Porém, tentou mais uma vez:

"Era escritor da Idade Média, né?"

Não sei como o coitado do rapaz achou que haveria algum escritor americano na Idade Média, mas o esclareci que Poe não existia ainda na era medieval. Cansado de dar tanta bola fora, o cara simplesmente considerou:

"Acho que vou ler a obra dele também".

Espero sinceramente que o tenha feito.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Cartazes I

Um dia, no trabalho, o ralo da pia da copa entupiu legal. É o velho hábito de deixar passar um restinho de comida ralo abaixo que a gente sempre tem: de restinho em restinho, o ralo encheu o papo e entupiu de vez.

Problema resolvido, alguém achou importante colocar um aviso na copa para que as pessoas tomassem mais cuidado com os restos de comida da próxima vez que utilizassem a pia. Só que "restos" de comida virou uma outra coisa:

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nobody puts Baby in a corner

Essa frase sempre levou a gente ao delírio - quando digo "a gente", quero dizer eu e minhas irmãs. Aquele momento em que Johnny Castle resolve voltar ao baile para lutar pela Baby em Dirty Dancing sempre ficou na minha cabeça: já pensou, você encostada num canto do salão como o resto do restolho, fazendo contraponto para a beleza da irmã... Deus me livre. Ainda bem que a Baby tinha o Patrick Swayze para salvá-la. Já comigo... já frequentei muitos cantos de muitos bailes, mas não tive a mesma sorte (:P).

Depois, veio Ghost - Do outro lado da vida. Quando esse filme passou nos cinemas e foi aquele sucesso estrondoso, eu tinha apenas 9 anos e não podia ir vê-lo - se não me engano, a censura era 10 anos. Sacanagem, eu estava tão pertinho dessa idade! Mas não deu: quem acabou indo foram minhas duas irmãs mais velhas. Lembro de esperar ansiosamente pela volta delas e, quando elas finalmente chegaram em casa, ainda discutindo animadamente o filme, implorei para que me contassem todo o enredo. Imagine a dificuldade das coitadas, tentando descrever quase duas horas de filme. E o nível de detalhamento que eu pedia! "Como era a mocinha?" "Ah, ela tinha cabelo curto, preto, lindo!" "E o mocinho?" "Era muito gato, louro dos olhos azuis" (nessa época a gente ainda não tinha visto Dirty Dancing). Só fui ver Ghost depois que saiu na locadora, quase um ano depois. E me apaixonei completamente pelo Sam, o fantasma.

Essas foram as lembranças que surgiram na minha cabeça hoje, quando entrei nos jornais online que sempre leio, todos os dias, e vi a triste notícia. Realmente, câncer de pâncreas não é pinto, é um câncer agressivo, e mesmo assim ele ainda conseguiu viver mais de um ano. Uma tremenda conquista. Porque, afinal, "nobody puts Patrick in a corner".

RIP, Patrick Swayze.

sábado, 12 de setembro de 2009

Flashes da Bienal

Nem bem cheguei da Bahia ontem, hoje já estava na Bienal do Livro, fuçando aquelas publicações difíceis de encontrar nas livrarias. Cheguei às 10h30 e achei que, em coisa de duas ou três horas, já estaria voltando para casa. Cá estou eu, chegando em casa às 21h... Por que ainda me iludo com essas coisas?

Não consegui me segurar e acabei comprando alguns livros. Tenho uma lista quase perpétua de livros para ler que só aumenta, e a Bienal não ajudou muito. Acabei voltando para casa com mais seis livros (um deles sendo uma coletânea!) para ler... Vou listá-los em ordem cronológica de compra:

1) "A bolsa e a vida - Economia e religião na Idade Média", Jacques Le Goff

Foi no estande da Record, que estava lotado de gente para a sessão de autógrafos do Bernard Cornwell. Enquanto os fãs esperavam ansiosos pelo autógrafo de um nada satisfeito Cornwall (estava com uma cara de cansaço...), passeei pelo estande semilotado e acabei, como sempre, parando na seção de História. Tenho um fraco por história medieval (vocês vão comprovar isso mais adiante), então gostei de cara do título desse livro. Comprei na hora.

2) "Os Cavaleiros de Cristo - Templários, teutônicos, hospitalários e outras ordens militares na Idade Média", Alain Demurger

Não disse que tinha um fraco pela Idade Média? Pois então.



3) "Cartas do Front - Relatos emocionantes da vida na guerra", Andrew Carroll

Comprei junto com o livro de cima e, meu Deus, nem sei como vou conseguir ler. Acho que só com uma caixa de lenço ao lado. O livro é todo formado por cartas enviadas por soldados a seus familiares, amadas, etc. Ele cobre desde as guerras mundiais até a guerra do Iraque. O autor ainda pesquisou o que aconteceu com cada uma dessas pessoas.

Olhando pelo lado mundano da coisa, esses dois livros foram o maior negócio que eu fiz na Bienal inteira. Eles estavam no estande já com 50% de desconto: os dois saíam à R$ 56, uma pechincha. Só que ainda pude usar o reembolso do ingresso da Bienal. Resultado? Paguei a bagatela de R$ 44 pelos dois livros.

4) "The plays of Oscar Wilde"

Pela parede envidraçada do estande da Livraria da Travessa, vi a ilha de livros da edição de pocket-books da Worsdworth Classics e não resisti: acabei entrando para garimpar alguma coisa. Achei esse tomo com todas as peças teatrais escritas pelo Wilde. Como romancista, confesso que não gostei do estilo dele, e justamente porque ele ficaria mais adequado se fosse uma peça de teatro. Então, voi-là! Quem sabe não gosto mais dele como dramaturgo?

5) "Hans Staden: Duas viagens ao Brasil"

No estande da L&PM, achei um livro com as cartas de Hans Staden, prefaciado pelo Eduardo Bueno: para uma viciada em História como eu, é como achar ouro. O estande da editora estava lo-ta-do ao limite do insuportável e, para justificar a fila imensa que eu ia pegar para comprar esse livro, resolvi levar mais um, que foi...


6) "Um bonde chamado desejo", Tennessee Williams
O livro me atraiu pela capa: a foto de um lindíssimo Marlon Brando como Kowalski. O filme eu não vi, mas achei melhor começar lendo a peça teatral. Depois suspiro por Marlon/Kowalski...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Foi por medo de avião...

Pelo título, pode parecer que vou falar sobre o pseudossumiço do Belchior nessas últimas semanas. Mas não. Apenas aproveitei o gancho para discutir algo mais pessoal: amanhã vou viajar a trabalho e tenho um tremendo cagaço de avião.

Não há motivo lógico para o temor, a não ser o noticiário atual (tantos casos de acidente, meu Deus!) e uma leve sensação de que, ao inventarmos o avião, fomos longe demais no lance de driblar a Mãe Natureza.

Meu pai é um aficionado por avião. Durante anos, seu jogo preferido foi o Flight Simulator; seu programa preferido na TV a cabo é Mayday, desastres aéreos, e já decretou que vai tirar o brevê de piloto assim que se aposentar (para nosso total desespero). Quando falo sobre esse medo, ele retruca: "Apenas um em cada um milhão de voos* termina em acidente. Mais fácil morrer na estrada do que no ar". Mas se estou num acidente de carro, minhas chances de sobrevivência são maiores. Agora, vai ver minha chance de sobreviver em um avião que cai no meio do Oceano Atlântico?

*Não sei se essa estatística é a correta, estou puxando pela memória. Mas um em um milhão já me pareceu demasiado frequente!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ame o seu vizinho

Não sei o que acontece: nunca tive sorte com vizinhos.

As pessoas me contam histórias maravilhosas sobre seus vizinhos, de como eles estão sempre lá presentes para ajudá-los, de como já tomaram emprestado não apenas as famosas xícaras de açúcar, mas também CDs, DVDs, eletrodomésticos e até carros. Comigo é diferente. Ao lado da minha casa, já morou toda a sorte de vizinhos folgados, barulhentos, enfim, a crème de la crème da falta de educação.

Já diz o ditado: "Vizinho não se escolhe". Infelizmente!

Abro um parêntesis: até que, no apartamento em que vivo hoje, tenho um relacionamento legal com meus vizinhos. O fato de eu passar quase o dia todo fora parece facilitar nesse mister, é verdade, mas já consegui ajuda deles em algumas situações chatas. Deles eu realmente não tenho do que reclamar.

Mas então por que é que estou contando essa história toda? É por causa de minha outra casa, a que acabo de comprar na cidade que morava antes de vir para o Rio.

Fui lá neste fim de semana para mostrar minha casinha para uns familiares: ela fica dentro de um desses condomínios fechados, com jeito de cidade de interior, muito agradável. Só que, como a casa acabou de me ser entregue, ela ainda não tem portão. Olhei o gramado (que está bem castigado, aliás) e vi umas catotinhas brancas. Ora, eu já tive cachorro por 17 anos e sei muito bem o que é isso: é cocô ressecado.

Minhas suspeitas se confirmaram quando, de repente, surge um pinscher lépido e faceiro correndo no meu gramado, já pronto para fazer suas necessidades, numa familiaridade de quem não está fazendo isso pela primeira vez. Acontece que bichinho pertence ao vizinho da frente que, ao ver a dona da casa ali, olhando tudo, chamou o cachorrinho na hora, todo sem graça.

Eu estou louca ou é o cúmulo da cara-de-pau e falta de respeito simplesmente deixar seu cachorro fazer as necessidades no gramado da casa de outra pessoa, mesmo que a casa esteja fechada? É cada um que me aparece...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ensinando a tricotar

"Tia, você me ensina a fazer tricô?"

De tanto me ver tricotar, minha sobrinha de oito anos quis aprender também. Apesar de pouquíssimo acostumada ao papel de professora, me aventurei a explicar a ela como montar os pontos iniciais, como são os pontos tricô e meia, como arrematar e fechar o trabalho.

Fiquei enternecida de vê-la ali, tricotando com dificuldade, as mãozinhas segurando as agulhas desajeitadamente, demorando para fazer os pontos meio desengonçados, próprios de quem está começando a aprender.

E enfia a agulha no ponto, passa a linha, puxa a agulha: tudo feito com cuidado, o rostinho compenetrado, mordendo a lingüinha, num jeito muito seu.

Por fim, ficou pronto seu primeiro trabalho: um quadradinho bem pequeno de lã verde. Seus olhinhos brilharam e ela correu a casa inteira, mostrando, orgulhosa, o que havia feito. E eu também estourando de orgulho da minha pequena pupila.

Engraçado como coisas tão simples podem nos dar uma sensação de completude tão grande.

domingo, 9 de agosto de 2009

Update: "Amadeus"

Disse lá atrás que estava vendo o filme Amadeus por etapas. Hoje finalmente consegui ver o final do filme e algumas coisas mudaram sobre a minha análise anterior:

1) Sobre Salieri - pareceu menos invejoso. Menos mal.

2) Sobre Constanze - melhorou sensivelmente no decorrer do filme, deixando de ser a debilóide do início para uma mulher com mais fibra.

No geral, o filme é OK, mas o que salva mesmo são as músicas, as composições maravilhosas de Mozart. No fim das contas, na categoria filmes sobre gênios da música, ainda prefiro Minha amada imortal.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Peito de peru

Já faz tempo que não conto histórias sobre os meus sobrinhos, embora eles me brindem com situações engraçadíssimas numa frequência deliciosa.

Essa que vou contar aconteceu num rodízio de pizza. Um garçom se aproximou de nós e ofereceu:

- Pizza de peito de peru?

No que meu sobrinho de quatro anos caiu na gargalhada.

- Pizza de peito de pelu? (é, ele fala como o Cebolinha!) - e continuava a rir. Não entendíamos nada, até que a mãe dele perguntou:

- Por que você está rindo, que graça tem pizza de peito de peru?

O pimentinha responde:

- Peito é de menina e pelu é de menino! Como pode ter peito de pelu?

Tivemos que fazer muita força para não rir...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Filme: Amadeus

Para alguém que gosta de música clássica, é meio inconcebível que eu nunca tenha visto Amadeus, a cinebiografia (mais ou menos, né) do Mozart. Mas, essa semana, descobri que meu cunhado tem um DVD do filme e resolvi vê-lo.

Primeiro de tudo, vou ter que fazer isso em etapas, porque Amadeus tem quase três horas e chego muito cansada do trabalho, não dá pra ver tudo de uma tacada só. Ontem vi o "primeiro capítulo", digamos assim, e já achei algumas coisas meio complicadas. Vejamos:

Mozart e sua risada bizarra (???)

1) A caracterização de Salieri - Meu Deus, o que fizeram com o pobre? Transformaram o Salieri num invejoso homicida, quando o cara foi até amiguinho do Mozart, chegando a ser professor de piano de um filho dele. Tsc, tsc.

2) A risada de Mozart - Creio que cada pessoa tem direito a possuir suas idiossincrasias, e não sou ingênua de supor que Mozart não tinha nenhuma. Mas aquela risada ridícula?! De onde tiraram que ele ria daquele jeito estapafúrdio?

3) Constanze Mozart - Gostaria muito de acreditar que a mulher que conquistou um gênio como Mozart não se comportava como a completa debilóide que é retratada no filme.

Obviamente continuarei a ver o filme, mas sem a mesma animação do início. Fica a pergunta: por que inventar tanto em cima de uma vida que já foi incrível por si só?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Tricotando

Todo inverno, baixa o espírito de dona Filó em mim e me ponho a tricotar.

Aprendi tricô há quatro anos, quando estava desempregada e precisava urgentemente de uma ocupação para não enlouquecer. Mamãe me ensinou o básico: montar os pontos na agulha, fazer os pontos tricô e meia e fechar o trabalho. Foi o suficiente para fazer um cachecol e um gorro, além de aprender combinações dos dois pontos básicos que formam uma infinidade de padrões diferentes.

De vez em quando pego minhas agulhas, principalmente quando as primeiras frentes frias dão conta da chegada do inverno. E, esse ano, voltei com tudo para o hobby (mais do que um hobby, tricô é uma terapia, um anti-stress maravilhoso).

Ontem terminei um cachecol para mim e já estou trabalhando em um idêntico para a minha sobrinha. Depois, será um gorro para um sobrinho, outro gorro para o outro sobrinho, cachecóis para o pessoal do trabalho... Do jeito que a lista de pedidos aumenta, só vou parar de tricotar no inverno do ano que vem!


Esse é o cachecol que fiz essa semana. A quem interessar possa, foi feito com lã Pengouin Quartzo cor 1176, agulha 7 e ponto ventania (*1 ponto sem fazer, 1 laçada e dois pontos juntos em tricô*, segue de *a* até o final da carreira. A carreira tem que ser montada com pontos múltiplos de três - esse cachecol da foto foi feito com 21 pontos).